segunda-feira, outubro 26, 2009

Veja um trecho do Pirmeiro Capítulo:

"Nas calçadas da rua, os curiosos ocupavam espaço procurando obter a melhor visão do caixão e dos parentes para ter o estranho prazer de presenciar a dor alheia. Alguns moradores abriam suas janelas e colocavam velas e flores no parapeito, em sinal de luto. Emocionadas, algumas senhoras de idade rezavam o terço e cantavam canções católicas a fim de pedir a salvação da alma de José Brogolhóes.
Gente de todas as classes, raças e condutas estavam à espera do finado na pracinha do cemitério. Cochichavam entre si e procuravam entender a causa da morte e como seria a vida dos familiares a partir do incidente.
Os mais atrevidos já tinham se infiltrado dentro do cemitério pelos muros laterais e dos fundos e se escondido entre as sepulturas até chegar a hora do enterro. Devem ter contado com a ajuda dos moradores vizinhos, já que seus quintais davam para o local. Um forte esquema de segurança foi armado com total meticulosidade. Vários homens trajados com roupas pretas estavam posicionados como estátuas perto dos dois portões. Faziam cara fechada e mostravam um olhar sem expressão a não ser a de seriedade. Mas nem isso foi o suficiente para manter a ordem. Eram apenas dez seguranças, divididos por ali mesmo. Além desses dez, outros oito cercavam o caixão para que os intrusos não ousassem passar dos limites estabelecidos respeitando a dor dos familiares e amigos mais íntimos. E nem estes podiam ter maior aproximação ao morto..."