Nasceu no Retiro, comunidadezinha pitoresca de São João do Arraial. (Engraçado! Uruburetama era o nome oficial da cidade, mas nem por isso deixou de ser chamada de “Arraial” ou “São João do Arraial”). Retiro era longe. Bem longe. Ficava a quilômetros da sede, numa altitude imensa, a níveis acima do mar, quase no pico da serra. Lá, as nuvens encostavam-se às matas montanhosas e o frio aconchegante permeava pelas estradas ladeadas por precipícios. Do retiro via-se uma tela natural de parte do Vale do Curu; a imensidão se perdia naquela depressão que desenhava na sua longitude as montanhas, os matagais, os campos floridos, os bananeirais, as poucas casas à beira da estrada e o horizonte paradisíaco, esplêndido em sua aquarela verde, marrom e cinza, sem fim exato, podado pelas serras do Pal Alto, Cachorro Morto e as das cidades vizinhas. A neblina tapava a vista dos retirenses, e obrigavam-os a recolherem-se em suas humildes casinhas, muitas de taipa.
segunda-feira, janeiro 31, 2011
quarta-feira, janeiro 19, 2011
domingo, outubro 31, 2010
PONTO FINAL
A idéia de escrever este livro surgiu quando eu ainda cursava o primeiro período da faculdade de História. Confesso que o interesse pela literatura vem desde a minha infância e sempre fui fascinado por histórias peculiares, que envolvem costumes personagens engraçados, caricatos e muito verdadeiros em sua essência. Já houve algumas tentativas frustrantes. Quando eu tinha uns 10 anos por aí, escrevi um pequeno livrinho, artesanal mesmo. Contava a historia de um garoto que sonhava em ser famoso. Era uma história simples. O livro foi confeccionado com folhas de um caderno velho. Escrevia os capítulos e ao terminar todos, grampeei as folhas e fiz uma capa bem legal. As ilustrações eu mesmo fazia. Procurava elaborá-las de acordo com cada capítulo. Desenhava mal pra caramba, mesmo assim, me atrevia a construir tudo do livrinho, item por item. Ah, só não tinha prefácio (como este) e nem dedicatória. Mas erros de português tinham demais. Hoje não tenho mais o livro em mãos, mas lembro muito bem que na capa, desenhei o garoto sentado em sua cama e sonhando acordado, pensando no seu futuro promissor. Claro que a personagem central foi inspirada em mim mesmo, pois acho que o autor sempre expõe os seus pensamentos mais absurdos por meio de uma personagem. O título da obra era: “O sonhador”. Pouco tempo depois a li e reli inúmeras vezes e observando com um olhar crítico de pré-adolescente, achei que era um porcaria, uma pobreza literária Joguei fora. Mais tarde, aos dezesseis, comecei a escrever uma história de aventura. Não deu certo. Tenho apenas dois capítulos escritos (a mão também). Depois vieram outras idéias: um romance homossexual; uma história conflituosa entre um Coronel, sua esposa e uma empregada (Clichê). Paralelamente a essas idéias, eu continuava a escrever peças teatrais, mesmo que não fossem representadas, mas pelo simples prazer de escrever, de dar vida a certas personagens, de ter a possibilidade de criar. Como historiador, tenho um grau de observação muito grande, e fico atento a tudo o que me cerca. Numa das aulas, minha colega de turma, Rita batista que na época era secretária de Ação Social do Município contou para todos em sala uma história muito engraçada. Era um pouco grotesca, mas verídica. Sem falar nomes para não ser antiética, Rita desenvolveu a história com uma praticidade imensa. Contou tudo nos mínimos detalhes. E logo veio á minha cabeça a possibilidade de criar uma história inspirada naquela. Foi aí que comecei a desenvolver a trama ambientada na minha própria cidade, lugar que amo demais e que não poderia deixar de homenagear, colocando-a como pano de fundo para essa tão sonhada história. Durante cada capítulo fiz questão de apresentar aos leitores, os locais históricos, turísticos e simbólicos de Uruburetama, descrevendo assim, os detalhes mínimos de cada monumento que nessa bela cidade se encontra. E como adoro literatura e história, resolvi unir as duas coisas numa só. O resultado? Meu primeiro livro: “Ponto Final.”
quinta-feira, outubro 28, 2010
Andamento da publicação
Galera, o livro já está pronto. Só estou aguardando saírem os Editais de literatura. Vai dar certo. Bejo!
segunda-feira, outubro 26, 2009
Veja um trecho do Pirmeiro Capítulo:
"Nas calçadas da rua, os curiosos ocupavam espaço procurando obter a melhor visão do caixão e dos parentes para ter o estranho prazer de presenciar a dor alheia. Alguns moradores abriam suas janelas e colocavam velas e flores no parapeito, em sinal de luto. Emocionadas, algumas senhoras de idade rezavam o terço e cantavam canções católicas a fim de pedir a salvação da alma de José Brogolhóes.
Gente de todas as classes, raças e condutas estavam à espera do finado na pracinha do cemitério. Cochichavam entre si e procuravam entender a causa da morte e como seria a vida dos familiares a partir do incidente.
Os mais atrevidos já tinham se infiltrado dentro do cemitério pelos muros laterais e dos fundos e se escondido entre as sepulturas até chegar a hora do enterro. Devem ter contado com a ajuda dos moradores vizinhos, já que seus quintais davam para o local. Um forte esquema de segurança foi armado com total meticulosidade. Vários homens trajados com roupas pretas estavam posicionados como estátuas perto dos dois portões. Faziam cara fechada e mostravam um olhar sem expressão a não ser a de seriedade. Mas nem isso foi o suficiente para manter a ordem. Eram apenas dez seguranças, divididos por ali mesmo. Além desses dez, outros oito cercavam o caixão para que os intrusos não ousassem passar dos limites estabelecidos respeitando a dor dos familiares e amigos mais íntimos. E nem estes podiam ter maior aproximação ao morto..."
"Nas calçadas da rua, os curiosos ocupavam espaço procurando obter a melhor visão do caixão e dos parentes para ter o estranho prazer de presenciar a dor alheia. Alguns moradores abriam suas janelas e colocavam velas e flores no parapeito, em sinal de luto. Emocionadas, algumas senhoras de idade rezavam o terço e cantavam canções católicas a fim de pedir a salvação da alma de José Brogolhóes.
Gente de todas as classes, raças e condutas estavam à espera do finado na pracinha do cemitério. Cochichavam entre si e procuravam entender a causa da morte e como seria a vida dos familiares a partir do incidente.
Os mais atrevidos já tinham se infiltrado dentro do cemitério pelos muros laterais e dos fundos e se escondido entre as sepulturas até chegar a hora do enterro. Devem ter contado com a ajuda dos moradores vizinhos, já que seus quintais davam para o local. Um forte esquema de segurança foi armado com total meticulosidade. Vários homens trajados com roupas pretas estavam posicionados como estátuas perto dos dois portões. Faziam cara fechada e mostravam um olhar sem expressão a não ser a de seriedade. Mas nem isso foi o suficiente para manter a ordem. Eram apenas dez seguranças, divididos por ali mesmo. Além desses dez, outros oito cercavam o caixão para que os intrusos não ousassem passar dos limites estabelecidos respeitando a dor dos familiares e amigos mais íntimos. E nem estes podiam ter maior aproximação ao morto..."
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